Chega junho e, com ele, as bandeirinhas coloridas, as comidas típicas, as brincadeiras e toda a alegria das festas juninas. Em muitos lugares, elas também recebem o nome de “Festa de São João”. Mas isso levanta uma pergunta interessante: a igreja luterana pode celebrar uma festa com esse nome?
Para responder, é importante entender como os luteranos veem os santos mencionados na Bíblia e na história da igreja.
Os luteranos confessam que os santos não devem ser adorados, invocados ou venerados de forma religiosa. Não oramos a eles, nem nos ajoelhamos diante de suas imagens, porque toda adoração (por mais que se use outro nome para disfarçar) pertence exclusivamente a Deus. As Escrituras são claras nesse ponto (Êxodo 20.2-6; Apocalipse 22.8-9).
Mas isso não significa que os santos sejam esquecidos. Pelo contrário!
Um dos documentos confessionais mais importantes da igreja luterana é a Confissão de Augsburgo, apresentada em 1530 como uma declaração pública da fé cristã baseada nas Escrituras. No seu Artigo 21, ela afirma que “os nossos ensinam que devemos nos lembrar dos santos para fortalecer a nossa fé, de forma que vejamos como receberam graça e como foram ajudados pela fé”.
Em outras palavras, os santos são lembrados não para ocupar o lugar de Cristo, mas para apontar para Cristo.
Ao olhar para a vida de João Batista, por exemplo, aprendemos sobre humildade, confiança e fidelidade a Deus. Sua vida nos encoraja a permanecer firmes na mesma fé que o sustentou. Contudo, o próprio João nunca quis ser o centro das atenções. Sua missão era apontar para outro.
“Eu os batizo com água para mostrar que vocês se arrependeram dos seus pecados, mas aquele que virá depois de mim os batizará com o Espírito Santo e fogo. Ele é mais importante do que eu, e não mereço a honra de carregar as sandálias dele.” (Mateus 3.11)
Por isso, não há problema em realizar uma festa junina ou até mesmo utilizar a expressão tradicional “Festa de São João”, desde que o foco não esteja em exaltar João Batista. Quando uma criatura ocupa o lugar que pertence ao Criador, perde-se o verdadeiro sentido da fé cristã.
Talvez a melhor maneira de lembrar João Batista seja justamente ouvir suas palavras registradas em João 3.30: “Convém que ele cresça e que eu diminua.” João estava falando de Jesus.
Do início ao fim, essa foi a sua missão: anunciar o Salvador. Sua alegria era ver as pessoas olhando não para ele, mas para Cristo. E essa continua sendo a perspectiva cristã para qualquer celebração.
A música, a comunhão, as brincadeiras e as comidas típicas podem ser recebidas com gratidão como bons presentes de Deus. Mas a verdadeira razão para a alegria cristã não está na festa em si. Está em Jesus Cristo, que veio ao mundo para salvar pecadores, perdoar nossos pecados e nos dar vida eterna.
Assim, no meio das bandeirinhas, do cheiro de milho verde e das tradições de junho, vale lembrar da maior mensagem anunciada por João Batista: o Salvador veio. Ele está entre nós por meio de sua Palavra e de seus sacramentos. Ele continua chamando pessoas para a fé. E sua luz brilha muito acima de qualquer festa popular.
Que João diminua. Que Cristo cresça. E que toda celebração seja uma oportunidade para apontar para Ele.
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