Prezada leitora, prezado leitor. Escolher as palavras sabiamente neste dia é muito importante. É preciso sabedoria para lembrar com carinho do dom de dar à luz e da importância do amor e cuidado de uma pessoa com essa tarefa. Mas também é preciso manter um saudável equilíbrio com a ideia de que ser mãe não é profissão e que a maternidade há muito tempo deixou de ser o único sonho para muitas mulheres.
É preciso sabedoria para não romantizar a maternidade e muito menos infligir um sentimento de culpa maior ainda sobre as mães, no caso das coisas não darem certo com as crianças. Mães já se sentem culpadas na maioria do tempo. Não precisam que ninguém reforce isso, muito menos em nome de Deus.
Podemos resgatar aqui as palavras de Jo.15.16: “Não foi você que me escolheu, mas fui eu que escolhi você.” Na maternidade também não é possível escolher que “tipo” de filho ou filha vamos ter, ou como vão ser quando crescerem. Não são os filhos e filhas que escolhem mães e pais, mas são mulheres e homens que escolhem, na melhor das hipóteses, serem mães e pais.
Mães também não são perfeitas. Mães erram. Mães cansam. Mães precisam de tempo sozinhas. Mães têm sonhos que não incluem as crianças e, apesar de tudo isso, são mães que amam seus filhos e filhas. Usando as palavras do texto, permanecer no amor não é ficar grudada o tempo todo, o tempo todo somente dedicado para filhos e filhas. Permanecer no amor é voar seus próprios sonhos e deixar os filhos e as filhas também fazerem isso. Não me refiro aqui ao abandono que muitas crianças sofrem nem a permitir que jovens tomem decisões que ainda não estão preparadas para tomar.
O dia das mães não pode ser um dia para glorificar as mulheres nem para ultra valorizar o sacrifício que fazem pelos filhos e filhas.
Assim como no texto, Jesus pressupõe que já haja uma amizade entre ele e sua comunidade. Jesus pede que amem uns aos outros e umas às outras. Na família também é assim. Já há um amor entre as pessoas, elas precisam somente ser relembradas desse amor. E não aquele amor só de um dia, de dar presente caro e depois esquecer o resto do ano. Amar é permanecer no amor. É amar mesmo quando a outra pessoa ainda não sabe o que é isso. Amar é também se valorizar. Por ser mãe não é preciso sofrer tudo calada, aguentar violência. Ser mãe é encarar uma aventura que na maternidade não se vive sozinha. (
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