Estância Velha - O artista visual Feu Cardoso foi homenageado na noite desta terça-feira, dia 14, na Câmara Municipal de Estância Velha. A moção de aplauso, apresentada pelo vereador Edenilson Klaus, foi aprovada por unanimidade pelos edis.
Durante a cerimônia, o artista recebeu uma placa de homenagem e também expôs, nos corredores do plenário municipal, obras da série Memórias Sedimentadas – Barro sobre Escombros, trabalho que lhe trouxe notoriedade após a enchente de 2024.
O objetivo da homenagem é reconhecer o talento e a relevante contribuição cultural do artista, cuja trajetória é marcada pela sensibilidade e pelo compromisso com temas sociais. “Como é bonito fazer homenagem à arte. A história também é contata pela arte e o talento deste rapaz é algo de tirar o chapéu”, disse Edenilson, sugerindo ao presidente que neste momento, em que se ensaia a construção do novo Legislativo, que se pense em um espaço na nova casa para os artistas da cidade.
Em seu discurso durante a sessão o takentosoartista agradeceu a homenagem, explicou como foi desenvolvido o projeto Memórias Sedimentadas. “Foi a partir desta exposição que ganhei visibilidade. Falar sobre a nossa história é um dos papéis da arte”, afirmou.
Dedicado à arte desde a infância, o artista construiu uma sólida formação e vem se destacando por obras que buscam retratar a essência humana e provocar reflexão. Feu foi o idealizador do projeto do Parador Estância Velha, conhecido como Chimarródromo.
Memórias sedimentadas
A série Memórias Sedimentadas retrata sobreviventes da inundação de maio de 2024 no Rio Grande do Sul. As obras foram produzidas com fragmentos de móveis recolhidos nas áreas atingidas, além da lama deixada pela tragédia, utilizada como matéria-prima na construção das imagens.
Durante visitas às casas das vítimas, o artista realizou registros fotográficos que serviram de base para as pinturas. Ao transformar o horror em reflexão sobre o indivíduo por trás dos números, o trabalho evidencia a potência da arte em tempos de crise. Com uma narrativa ao mesmo tempo visceral e poética, a série reforça a importância de contar histórias que emergem dos escombros.
Trajetória
Feu Cardoso nasceu em 17 de agosto de 1995 e é formado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Também possui formação técnica em Comunicação Visual pelo Instituto de Educação Ivoti, além de estudos em Desenho no Atelier Livre Xico Stockinger, em Porto Alegre, e formação em inglês realizada na Austrália.
Atualmente, desenvolve retratos que buscam revelar a subjetividade de cada indivíduo, com uma produção voltada a temas sociais e sensíveis — como na série Memórias Sedimentadas, em que utiliza barro e escombros da inundação para retratar vítimas da tragédia climática no Estado.
Entre os trabalhos de destaque estão: Olhares do Rio – Territórios e Memórias do Sinos; Memórias Sedimentadas – Barro sobre Escombros; participação com exposição e oficina no Brique São Léo; a obra Agência Submersa, no Sicredi Scharlau; e a pintura ao vivo na inauguração do Auditório Papa Francisco.
O artista também consolidou seu nome por meio de eventos e exposições, como a instalação e pintura acrílica na Unisinos Galeria Tubo, em 2018; a exposição Memórias Sedimentadas nos espaços Sicredi Feitoria e Sicredi Rio Branco, em 2024; a pintura ao vivo no evento Música Abre Portas, no Teatro Feevale, no mesmo ano; além da exposição no Ponto Coletivo Caxias, em 2025.
📷 Vera Fernandes/CMEV
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