Estância Velha - No decorrer dos festejos pelo 65° aniversário de emancipação, mais um momento marcante está previsto. Trata-se do lançamento de um livro que expõe em mais de 200 páginas, um registro histórico de Estância Velha até a emancipação.
Com o objetivo de criar um elo entre o passado e o futuro, será lançado na próxima terça-feira, dia 10 de setembro, às 19h30, na Sociedade de Canto União, o livro “Estância Velha – Dos povos originários à emancipação”, em evento para convidados.
A autoria é do jornalista e pesquisador Felipe Kuhn Braun (autor de 28 livros). Para ele, mais que um registro histórico das origens do município até sua emancipação, a obra constitui um presente para os estancienses, para a comunidade
Distribuído de forma gratuita em bibliotecas, escolas e instituições da região, o projeto conta também com uma história em quadrinhos inspirada no livro e rodas de conversa em 12 escolas da rede pública de ensino, no final de outubro.
Através de mais de 200 páginas, ilustradas com imagens de pontos históricos e famílias que ajudaram a construir a Estância Velha atual, Kuhn Braun ressalta a relação de pertencimento criada com aqueles que serviram de fonte de pesquisa e também com os futuros leitores da obra.
“Uma comunidade é feita da história de diversas famílias e de quem integra essas famílias. Há algumas que estão há sete gerações em Estância Velha, mas há também aquelas que chegaram há pouco tempo. Sempre digo que aquele que escolhe um lugar para viver, muitas vezes, tem um pertencimento ainda maior do que aquele que nasceu e não mora mais lá.”
Com apoio pelo Instituto Pró-Estância Velha (IPEV) e do projeto Estância 360°, com patrocínio exclusivo de uma empresa local, o projeto foi realizado pela produtora Simples Assim e pelo Ministério da Cultura - Governo Federal, por meio da Lei de Incentivo à Cultura.
Conforme Duda Cansi, presidente do IPEV e CEO da patrocinadora, a decisão de apoiar o projeto ganhou um sentido de urgência pela constatação de que os jovens desconheciam o passado do município.
A ideia inicial dentro do movimento foi abordada durante as oficinas de implantação do Estância 360°, inclusive com intensa argumentação da jornalista do Estância Velha Notícias, Leila Ermel, e de outros participantes na ocasião, enquanto abordagens da Ideia-Força Cidade Consciente e dos demais grupos e ideias-forcas, baseando-se nos materias de pesquisa e conteúdos existentes para este fim, apenas aguardando se tornarem um registro histórico de fato. "É válido ver que um projeto significativo se transforma em realidade, após tantas tentativas e expectativas de pessoas daqui, que acabaram não se concretizando", afirma
Aniversário e bicentenário
Além de integrar as comemorações dos 65 anos de emancipação do município, data celebrada no dia 8 de setembro, o lançamento também está inserido no marco do Bicentenário da Imigração Alemã, tema central da bibliografia de Felipe Kuhn Braun.
“Estância Velha é muito marcada pela imigração alemã, isso é muito perceptível no nome das ruas, das praças, das escolas, nas igrejas. É importante lembrar dessas pessoas e desse mosaico cultural que forma o município, ao mesmo tempo registrando a grande contribuição que os alemães e seus descendentes deram”, diz o autor.
Projeto nas escolas
Para amplificar a promoção da educação, história e cultura, incentivando crianças e adolescentes a valorizar o legado de Estância Velha, uma revista em quadrinhos ficcional, roteirizada a partir do livro por Maria Eduarda Andara Fagundes, com ilustrações de Andressa Mueller, será usada em projetos pedagógicos, como, por exemplo, os encontros do autor Felipe Kuhn Braun com estudantes.
Também foi desenvolvido um conteúdo pedagógico para professores trabalharem os assuntos do livro em sala de aula, que será disponibilizado nas redes sociais, tendo como referência a Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
O titular da Semec, Gustavo Guedes, vê a materialização do projeto como uma conquista para a cidade. “O objetivo é resgatar essa história, demonstrando o processo de muitas lutas para constituir uma cidade em meio ao nada, construindo uma identidade local. Vamos usar o livro e o formato gibi para isso.”
Na visão do secretário, o projeto se deu pela organização da comunidade. “A comunidade conseguiu se organizar no sentido de buscar um material que pudesse resgatar a história da cidade, o que por si só é extremamente relevante, sem depender do setor público para isso.”
Os bate-papos nas escolas municipais ocorrem nos dias 29, 30 e 31 de outubro, sendo realizados encontros em quatro instituições de ensino por dia.