Morreu nesta terça-feira, dia 15, aos 90 anos, a atriz Léa Garcia. Ela estava no Festival de Gramado, onde seria homenageada - hoje à noite-, pelo conjunto da obra com o troféu Oscarito, juntamente com a atriz Laura Cardoso.
A informação do falecimento foi confirmada pelos familiares de Léa, nas redes sociais: "É com pesar que nós familiares informamos o falecimento agora na cidade de Gramado, no Festival de Cinema da nossa amada Léa Garcia". De acordo com o Hospital Arcanjo São Miguel, a causa da morte foi um infarto agudo do miocárdio. Ela estava circulando pelo Festival, que começou no último sábado, todos os dias. Chegou a posar sorridente na frente do troféu Kikito.
Carreira - A carioca Léa Lucas Garcia de Aguiar estreou nos palcos aos 19 anos de idade, na peça "Rapsódia Negra", de Abdias do Nascimento. Foi o intelectual e criador do Teatro Experimental do Negro (TEN), inclusive, que viu seu talento quando a conheceu no ponto do bonde, em 1950, na praia de Botafogo. Na TV, a primeira novela de Léa foi "Acorrentados", de 1969, na Record. Antes disso, participou de programas como "Grande Teatro", da TV Tupi, e "Vendem-se Terrenos no Céu". Sua estreia na TV Globo aconteceu em 1970, em "Assim na Terra como no Céu", obra de Dias Gomes.
Reconhecimento - Foram mais de 30 participações no cinema, entre curtas e longas-metragens, que renderam a Léa prêmios nacionais e internacionais. Além da indicação como melhor atriz do Festival de Cannes com "Orfeu negro", seu primeiro filme, a carioca foi eleita melhor atriz, inclusive pelo júri popular, do Festival de Gramado por "Filhas do vento" (2005), de Joel Zito Araújo. Gramado a premiou novamente em 2013 como melhor atriz de curta-metragem por "Acalanto" (2012), Arturo Saboia, baseado num conto de Mia Couto. Este mesmo curta lhe rendeu o prêmio de melhor atriz no Brazilian Film Festival of Toronto, no Canadá.
"Ultimamente, tinha virado atriz de dois personagens só. Me chamavam para fazer mãe preta ou mãe de santo. Está sendo agradável sair desse olhar estereotipado, que coloca a mulher negra idosa num determinado tipo de representação. Essas, agora, são simplesmente mulheres", disse a atriz em entrevista ao jornal O Globo, em Julho de 2022.
Seu último filme foi "Barba, Cabelo & Bigode" (2022), da Netflix, dirigido por Rodrigo França. No ano passado, para comemorar 70 anos de carreira, voltou aos palcos, onde tudo começou, e estrelou o espetáculo "A vida não é justa", dirigido por Tonico Pereira, e baseado no livro homônimo em que Andréa Pachá relata episódios de sua experiência como juíza de uma Vara de Família.