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Segunda-feira, 08 de Junho 2026
Personagens da Cidade

No ar, JORGE DE VARGAS!

A Rádio Estância “toca” fundo seu coração

Sandra Hess
Por Sandra Hess
No ar, JORGE DE VARGAS!
Sandra Hess
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003 # Personagens da Cidade

Olá! Sou Sandra Hess, jornalista. O Projeto Personagens da Cidade é uma realização do portal Estância Velha Notícias e ZMulti Editora/Revista MultiFamília.

 

A dedicação de Jorge de Vargas vai muito além das horas em que está no ar na Rádio Estância FM, das 9h às 12h, de segunda a sexta-feira. Ele “toca” a emissora ao lado de um grupo de moradores. Foi um dos fundadores, em 1º de maio de 1998 – serão 27 anos de transmissão em 2025. Na medida em que avança a conversa, descobrimos o engajamento em diversas frentes: esteve na patronagem do CTG Serigote por mais de 10 anos. Também contribuiu com sua força de trabalho no auge dos curtumes por 24 anos. E na esfera política, se envolveu por mais de 30 anos. Tem uma chácara e adora estar em contato com a natureza. Tudo isso alicerçado ao lado da esposa Brunilda de Vargas, com quem compartilha a experiência de ser pai de Andréa de Vargas e Aline de Vargas e avô de Amanda de Vargas Kolling Prezze e Maria Clara Backes. Durante a conversa, sua história se liga com a cidade, citando acontecimentos e pessoas em sua linha do tempo.

Começamos falando da sua experiência em rádio, iniciada em 1990. “Vão fazer 27 anos na Rádio Estância e outros 9 na Rádio Progresso, de Novo Hamburgo”. Trabalhando nos finais de semana, à noite e agora durante as manhãs, viveu diferentes momentos nestes 35 anos.  A conversa aconteceu no estúdio da emissora. Sentado em frente ao microfone, à mesa de som e ao computador programado para tocar as músicas mais pedidas da audiência, Jorge relembra sua história para o Projeto Personagens da Cidade.

Pedro Konzen e Paulo Link sendo entrevistados por Jorge Vargas

 

NAS ONDAS DO RÁDIO

É por meio do microfone da rádio que compartilha sua paixão pela música e pela cidade. “Quando abrimos, víamos Estância Velha com muito potencial e queríamos estar em contato com a população”, conta. O ouvinte é que indica a trilha sonora, mas a tendência é tocar sertanejo, gaúcha e bandas de baile. A preferência de Jorge é pela música tradicionalista, até porque frequenta até hoje o CTG Serigote. Por quase uma década, participava da patronagem.

Com 73 anos de idade – seu aniversário é no dia 10 de agosto -, Jorge conta que a pessoa que gosta de rádio, permanece fiel. “Temos uma excelente audiência e muito participativa. Além disso, a internet nos aproxima, mesmo longe de Estância Velha, e nossa audiência atravessa o Rio Grande do Sul.”

Na rádio, Jorge é responsável pela locução e o setor comercial. O presidente da associação é o contador Edson Schneider, que cuida da parte da tecnologia e da contabilidade. A Rádio Estância é mantida pela Associação Rádio Comunitária Estância Velha. “Quando surgiu a Lei das Rádios, os deputados gaúchos articularam, a Câmaras de Vereadores recebeu um comunicado de uma reunião na Assembleia Legislativa e a vereadora Lúcia Trein fez o encaminhamento, chegando a demanda até nós”.

Jorge integrou o grupo que reuniu os documentos para, depois de quatro anos, ser promulgada a criação da rádio, oficializando assim em 1º de maio de 1998. Os equipamentos usados para transmissão da programação mudaram: da mesa grande hoje basta um notebook para garantir o funcionamento. “O sinal sai do estúdio para a antena de transmissão, que fica no Bairro Nova Estância, e a partir daí, é via internet. Antes, a antena ficava aqui no prédio”.

 

24 ANOS TRABALHANDO EM CURTUME

“Trabalhei 4 anos no Curtume Relim – a empresa ficava na Rua Portão, no Bairro Lyra, em frente ao Curtume Spengler. Depois, em 1978, fui para o Curtume Rimus, onde me tornei chefe do setor. Fiquei até setembro de 1994 porque sabia que a empresa fecharia em questão de meses. Foi o que aconteceu em fevereiro de 1995”.

Curtume Rimus

Jorge guarda fotos do prédio da Rimus, na Rua Hugo Metz, hoje uma ampla área vazia localizada no Centro. Ele lembra do cuidado para entregar peças com a maior qualidade graças ao trabalho coordenado com cada colega. Antes, havia trabalhado 2 anos no Curtume Boa Vista, em Portão. Na época, tinha 20 anos de idade.

“Resolvi voltar para o interior para reunir dinheiro plantando nas terras da família. Meu sonho era comprar um caminhão e ser caminhoneiro. Plantei soja e milho mas vi que devido à seca da época, conseguiria 50% da colheita. Resolvi trabalhar em Estância, onde sobrava trabalho graças ao setor curtumeiro, motivo pelo que qual denominou-se a Capital Nacional dos Curtumes”.

 

A Fepam, os curtumes e as adequações

Jorge lembra de um fato marcante, quando a Fepam impediu o funcionamento de empresas como o Rimus (o Leuck e o Genuíno sem ter certeza de estarem envolvidos). “Deu uma grande polêmica em 1989 ou 1990, a prefeitura ficava onde hoje está a biblioteca. Os sindicatos se reuniram na prefeitura, e agendaram uma audiência na Fepam em Porto Alegre. A ideia era pedir um prazo para adequações e eu fui junto. E conseguimos. No final dos anos 1990, começou o fechamento de muitos curtumes por conta da concorrência externa.”

Ao ser questionado se o cheiro causava mal-estar nos trabalhadores, Jorge explicou que não. “O cheiro que era expelido na cidade era desagradável, mas dentro do curtume não. E depois começaram a fazer o tratamento da água, reduzindo o cheiro”. Jorge também estava envolvido no Sindicato dos Curtumes, assumindo a direção e trabalhando em prol do setor. Ainda hoje é sócio.

Ao se desligar do Rimus, começou a trabalhar com vendas de limpeza e embalagens, atividade que seguiu por 6 anos. Em 2001, passou a se dedicar somente à rádio.

 

 

PARTIDO POLÍTICO, FUTEBOL, FAMÍLIA

“Fui dirigente do PDT [Partido Democrático Trabalhista] até 2018. Passei por diferentes funções: fui presidente, vice-presidente, tesoureiro, candidato a vereador em 2012 a fim de colaborar com a reeleição do prefeito Waldir Dilkin. Em 2013, quando reeleito, o prefeito Waldir me convidou para assumir um cargo na Prefeitura, porém, recusei para continuar a ‘tocar a rádio’ ”.

Jorge também batia uma bola. Era lateral esquerdo e jogava no Esporte Clube Racing – depois passou a se chamar Sociedade Esportiva Tiradentes. Numa disputa de bola, um jogador atingiu o braço de Jorge. A fratura tirou o jogador dos campos.

 

Nascido em Vapor Velho, localidade de Montenegro, quase na divisa com Maratá, no Vale do Caí, Jorge tem uma chácara para curtir e plantar um aipim, capinar, trabalhar na roça e acompanhar o crescimento do seu mato de eucalipto. Da união com Brunilda, natural de Vera Cruz, nasceram Andréa e Aline. A Andréa mora em Estância Velha e a Aline em Caxias do Sul. São avôs de Amanda e de Maria Clara.

- Graças a Deus, me dei bem na vida.

ZONA INDUSTRIAL, METALÚRGICA WEBER E LAURILLO FLECK

A conversa correu solta e alguns assuntos surgiram como o processo de criação da zona industrial entre os bairros Lago Azul e Campo Grande, na divisa com Portão. O prefeito Waldir Dilkin costumava trocar ideias com Jorge na prefeitura ou no estúdio. “O Ciro Ferretto falou de uma ótima oportunidade de compra de uma área com 49 hectares. Quando o Waldir me perguntou, eu disse para não pensar duas vezes”. A negociação foi efetuada em 2009. Com isso, pode-se atender empresas que precisavam de área para ampliação e oferecer áreas para empresas novas se instalarem. “A Johann Alimentos foi uma das primeiras empresas, depois veio a Lavanderia BBC. Hoje, o espaço está praticamente ocupado”.

Outro ponto que Jorge lembra é da Metalúrgica Weber, hoje ocupando a área do Pavilhão de Atividades Múltiplas Balduíno Weber (PAM) e do Pavilhão de Atividades Culturais Reinato Trein (PAC). “Eles faziam placas de carros, a fundição era só para as placas de alumínio. Era uma potência”. Na pesquisa posterior, localizamos informação de Jonas Ebling sobre a chaminé – com 40 metros de altura. No Jornal O Diário de 08/09/2016, consta que ela foi construída na década de 1960 e que a metalúrgica foi fundada na década de 1910 e extinta nos anos 1980.

A Praça 1º de Maio também chegou na conversa e Jorge lembrou de Laurillo Fleck, que plantou árvores nesta praça. “Tinha o chafariz no meio da praça e muitas árvores, todas plantadas pelo sr. Fleck, algo que fazia por gostar e valorizar o paisagismo da cidade”.

Na linha de acontecimentos acompanhados por Jorge consta, inclusive, a sucessão das administrações municipais. “Houve um tempo em que a cidade vivia a troca de mandatos entre Frederico Leuck e Reinato Trein, sendo quebrado o ciclo por Toco [Elivir Desiam, in memoriam], depois o Waldir Dilkin reeleito, a Ivete Grade e o atual prefeito reeleito, Diego Francisco”.

Não fosse o compromisso da jornalista aqui, a conversa seguiria. Fica para uma próxima, Jorge?

Sandra Hess

Publicado por:

Sandra Hess

Jornalista e coordenadora editorial da Z Multi Editora.

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