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Segunda-feira, 08 de Junho 2026
Personagens da Cidade

Raul Kruse, um empresário e um gestor social!

Um líder nato que soube construir oportunidades desde pequeno

Sandra Hess
Por Sandra Hess
Raul Kruse, um empresário e um gestor social!
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Olá! Sou Sandra Hess, jornalista. O Projeto Personagens da Cidade é uma realização do portal Estância Velha Notícias e ZMulti Editora/Revista MultiFamília.

 

Era uma manhã de verão em que Raul Artur Kruse conversou conosco. E já que o nosso Personagem da Cidade é um jovem cidadão de muitas vivências, logo perguntamos: quem é o Raul Kruse de criança, ou com 18 anos ou agora com 82 anos de idade? Tem diferença daquele Raul da década de 1940 para 2025? A resposta veio rápida:

- Naquela época, era um Raul com sonhos e hoje, um Raul com sonhos realizados.

O Raul de hoje saboreia os frutos que semeou com muita dedicação, respeito e criatividade. Detectou oportunidades onde outros não se atentaram. É de se admirar a família que tem, a empresa sólida que constituiu, a paixão que sente pela Orquestra Infantojuvenil de Estância Velha e pelos projetos Música nas Escolas, Xadrez nas Escolas e Música Na Dimel. Seu nome é forte na comunidade.  

Nossa conversa acontece em uma das salas da Dimel Materiais de Embalagem, no Bairro das Rosas. O lugar representa muito para a sua própria história e da cidade: entre as décadas de 1930 e 1990, o Curtume Bender & Schuck ajudou a alavancar a economia da cidade. Ali foi o ponto de partida profissional de Raul, aos 16 anos.

A caminhada em busca de recursos próprios começou cedo. “Eu lembro de ganhar algum dinheirinho com a minha avó: tinha inço que crescia no pátio e ela me pagava pela unidade para arrancar com a cebolinha, senão voltava a crescer. Isso com 5 ou 6 anos. Aos 7 ou 8, eu pegava bola numa quadra de tênis ao lado da Sociedade de Canto União. Posteriormente, aos 9, juntava os pinos na quadra de bolão da sociedade.”

Raul estudou até a metade do 5º ano primário no Colégio Humberto de Campos, onde hoje é a Praça 1º de Maio – e que pretende que seja denominada Dr. Victor Kurt Schuck para homenagear alguém que tenha uma relação maior com a cidade.

Ficou outro semestre no Instituto Rio Branco se preparando para o exame de admissão do Colégio Sinodal, em São Leopoldo. Ingressou em 1954 e nas férias de julho de 1957, resolveu fazer um curso de datilografia. “Descobri que um professor ditava o conteúdo de um livro. Datilografei o conteúdo numa matriz, depois mimeografava e vendia as folhas impressas. Isso me deu um bom dinheiro e passei a dispensar minha mesada”. Ficou no colégio por 5 anos.

 

Na foto (capa do celular),
Raul e o chimarrão
seguindo para
aula de violão

Vale incluir na biografia deste nosso entrevistado a qualidade “inquieto”? Vale! Raul era o filho mais velho de Rudy Benno Kruse e Marta. Era irmão de Luiz (in memoriam) – 5 anos de diferença - e de Paulo Roberto, 11 anos mais novo. O pai foi distribuidor da Brahma em Estância Velha. O depósito ficava na Avenida Presidente Vargas onde hoje fica a Loja Quero-Quero. O prédio foi construído pelo pai e o avô. “Aprendi muito com o avô materno, o Arthur Konrath. Ele era um visionário”.

O seu primeiro emprego começou no dia 1º de março de 1959 no Curtume Bender & Schuck. Fazia cafezinho, emitia notas fiscais e duplicatas, ia na exatoria. “Serviço de escritório”, resume. Meses depois, em 8 de setembro, a cidade era emancipada. Raul lembra como se fosse hoje aquele dia quando o governador Dr. Leonel de Moura Brizola assinou o decreto que oficializava a emancipação de Estância Velha.

- Faço parte da história viva. Lembro quando os membros da Comissão Emancipacionista chegaram com a notícia, do foguetório na praça, da carreata pela cidade e de muita cerveja.

Candidato único, o prefeito eleito Victor Schuck assumiu em 1º de janeiro de 1960 e precisava estruturar sua equipe. Na metade daquele ano, Victor lhe perguntou quanto ganhava no curtume. O salário mínimo, 5 mil, foi a resposta. Te ofereço 8 mil – foi a proposta de Victor. Raul consultou seu tio. “Teu sócio está oferecendo 60% de aumento para trabalhar na prefeitura”. O curtume pagou o aumento. “Só que haviam mais outros 2 funcionários. Tiveram que dar aumento para os dois. Eles ficaram tão felizes que me pagaram um galeto. Passaram-se meses, não tinha 18 anos, Victor novamente me procurou. Te pago 12 mil. Falei novamente com meu tio, que falou com os sócios, me ofereceram o mesmo salário e eu fiquei. Me pagaram outro galeto. Pela terceira vez, Victor Schuck me procurou. Te pago 18 mil. Eu falei: agora terminou o leilão. Vou participar que vou sair. Mas só vou para a Prefeitura com 2 condições: eu quero que me livres do Serviço Militar porque já fui interno no Sinodal onde havia rígidos conceitos de obediência, organização pessoal,  valores éticos e morais  que assimilei . A outra condição é que só fico 1 ano na prefeitura. Ele deu uma risada, mas topou.

Difícil ser fiel à narrativa de Raul tal a riqueza de detalhes. Movido pela visão de crescimento, seguia subindo degraus. Ele pensou: O que serei na Prefeitura? Um funcionário público. Hipoteticamente, prefeito da cidade. Mas não resolve a minha vida”.

O curioso é que ele próprio tinha esse entendimento da vida e era ele quem estava em busca de um futuro promissor. Um mês antes de completar o prazo, Raul avisou o prefeito Victor. Aqui, abrimos um parênteses: Victor queria que Raul permanecesse porque era eficiente, tinha uma formação muito boa e era rato de biblioteca. Todas as quartas, enquanto no Sinodal, ia direto para a Livraria Rotermund para manusear os livros. O cheiro do papel era inspirador. Também colaborava na biblioteca da escola para poder pegar os livros por primeiro. Teve um excelente professor de Português. E através da leitura adquiriu boa capacidade de redação. Além disso, era um excelente datilógrafo. “Não pela velocidade, mas porque datilografava quase que corretamente. E quando errava uma letra, pegava uma gilete, raspava a letra, passava um giz branco e mantinha rigorosamente as duas margens iguais”. Na época não existiam corretivos. Era o único jeito de não aparecerem rasuras.

Um trabalho bem datilografado valia muito naquele momento. Em determinada ocasião, Victor levou a Brasília um processo datilografado por Raul que chamou a atenção do ministro da Justiça. Impressionado com a qualidade e apresentação do mesmo, sugeriu que fosse trabalhar no seu escritório de advocacia em Porto Alegre.

Era comum os visitantes e políticos serem convidados para almoçarem em um restaurante onde hoje é o CR Die Mentz. “O pessoal fazia discurso e o Victor me chamava: - Agora meu secretário vai falar. Ficava horrorizado, mas eu tinha que falar. Foi aí que aprendi a falar em público. Eu devo muito ao Victor por ter reconhecido meu potencial”.

Raul também ajudava na Contabilidade da prefeitura. Todo o interior de Ivoti, Lindolfo Collor e Presidente Lucena pertenciam à Estância. Victor instituiu que nós iríamos até as comunidades para que pudessem pagar o IPTU. Ficávamos 2 horas em cada lugar e no fim do dia, voltávamos com uma bolsa cheia de dinheiro. Outras épocas.

Os acontecimentos seguem: deixou a prefeitura mesmo sem emprego. Em 1961, se formou em Contabilidade e, em 1963, se casou com Vivian. Minha primeira namorada no Sinodal, eu tinha 15, e ela 13. Depois, mais tarde, nos reencontramos na praia e nos casamos, eu com 20 e ela com 18 anos, descreve.

Por três anos, Raul trabalhou na empresa do pai, mas não estava satisfeito. E começou a pensar qual seria o melhor emprego da época, isso em 1964. Decidiu se preparar para o concurso no Banco do Brasil. Estudava Matemática com sua tia, em São Leopoldo. Surgiu um concurso para o Banrisul em Novo Hamburgo. “Ela sugeriu que me inscrevesse, mas eu me recusava, pois minha meta era o Banco do Brasil.  Depois de insistir pela terceira vez, minha tia disse a palavra mágica: ‘faz para ganhar experiência’. Eram 38 candidatos. Fiquei em primeiro lugar. O contador do banco, seu Pacheco, me telefonou: podes começar amanhã. Recusei. Ele estranhou: ‘tu não podes perder esta oportunidade. Somando os benefícios, seriam 18 salários’. Pensei: é só de tarde, vou ganhar experiência. Aceitei. Fiquei 30 dias no Departamento de Ordem de Pagamento. E depois, fui passando por todos os setores do banco. Acabei sendo o secretário do gerente, e isto me fez conhecer os grandes empresários de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha, Ivoti e Dois Irmãos. Isso gerou um relacionamento muito bom.” 

Um fato lembrado foi um empréstimo conseguido na Caixa Econômica Federal, algo que só os “amigos do Rei” conseguiriam. Graças à sua boa relação na Prefeitura e diante do diretor do banco que esteve em visita à cidade para falar das possibilidades para as empresas locais, conseguiu pedir recursos para a construção de sua casa. “Vale lembrar que com a inflação alta e uma correção de juros muito pequena, em cinco anos, o valor devido diminuía para a metade.”. Novamente o prefeito Victor mediou: “Este é o meu secretário e ele quer casar.” O diretor logo entendeu: “Quem casa, quer casa”. No final, Raul ganhou 1 milhão. “Com 20 anos, casei e fui morar na minha casa própria, onde moro até hoje. Depois, comprei 2 terrenos do lado. Meu pai achava uma loucura porque era o ‘final de Estância’, não tinha asfalto e era a última casa da avenida Presidente Vargas. Levei 22 anos para pagar”.

Enquanto trabalhava no banco, ainda era secretário da Junta de Alistamento Militar. O prefeito Victor pediu que continuasse pois havia feito um curso e atendia no sábado de manhã. Ganhava meio salário. Neste meio tempo, surgiu concurso para ser secretário executivo da Câmara Municipal. Teve 4 candidatos. Tirou o primeiro lugar. “Secretariava a Câmara uma vez por semana ou quando tinha reunião extraordinária e o resto fazia em casa”.

Mas ainda havia algumas horas do dia disponíveis. “Vi que tinha um funcionário no banco que ganhava dinheiro fazendo seguros. Seu Pacheco me apresentou para o diretor da Novo Hamburgo Cia. de Seguros, Breno Schaman. Curiosamente, 15 dias antes, havia sido demitido o responsável de Estância Velha. Como eu era bem relacionado, assumi a função e comecei a fazer seguro das empresas, de carros, de vida, de trabalho”.

Ainda assim, não estava satisfeito, afinal, trabalhava só de tarde. “Resolvi pegar uma representada de adornos de sapato de São Paulo, algo diferenciado em qualidade e que aqui não eram produzidos. Seis meses depois, pedi para sair do banco porque o que tinha já dava para me manter. Fui para São Paulo em busca de outras representadas “.

Se o leitor fizer as contas, concordará que Raul já havia feito bom uso de suas relações e que criava boas oportunidades antes mesmo de seus 25 anos, correto? Pois agora vem um acontecimento que iria definir sua trajetória atual, a da Dimel, que completa 57 anos em 2025. “Eu havia me hospedado no Hotel Líder, em São Paulo, na avenida Ipiranga e ao meio-dia tive que voltar para o hotel porque havia me esquecido de algo. Ao retornar, dou de cara com meu tio do Curtume Bender & Schuck e o representante dele no canteiro da avenida. Casualidade ou foi meu Amigo lá de cima? Almoçamos juntos. Contei que estava atrás de representadas. Indicaram a Cyklop do Brasil no Bairro Santo Amaro. Falei com o Carlos, que respondeu ter representante no Rio Grande do Sul, mas pediu meu cartão.’ Sessenta dias depois, fui lá de novo. Na quinta vez, decidi que seria a última vez que iria tentar. Cheguei lá e a pessoa não trabalhava mais na empresa. Mas me apresentaram ao sr.  Walter, que tinha sido o representante desde a sua origem de equipamentos e embalagens. Perguntei quem eram seus clientes na região: Calçados Ciro, Faller e Cisne. Em São Leopoldo, outros dois.  Fiz uma proposta: trabalho de graça e se ao cabo de 60 dias julgar que eu posso ser útil, aí conversamos. Eu não vou visitar os que já são atendidos. Neste meio tempo, me apresentei falando em alemão ao diretor-presidente. Ele disse que gostava da proposta, mas que na sua empresa, merece receber pelo que produz. E assim comecei. Era só eu. Hoje somos 100 pessoas. Temos um excelente relacionamento até hoje. Nossos princípios e nossa honradez têm alicerçado o nosso crescimento.”

Raul dá um exemplo do negócio que tinha nas mãos. Em 1968, a Calçados Strassburger tinha um setor de expedição que usava tijolo para fechar uma caixa de madeira compensada. “Estas caixas eram pregadas e passavam uma fita de aço. Algumas empresas já fechavam com uma fita de papel gomada. Na época, tinham uma espiriteira. Em vez da chaleira, tinha uma lata de cola que era aquecida para se tornar pastosa e colar nas abas do papelão. Aí invertiam a caixa e colocavam as caixas de sapato lá dentro. Em cima, a aba queria voltar. Colocavam um tijolo em cima. Essa era a rotina. Aí chega o Raul com uma máquina, manual ou elétrica, um rolo de papel gomado que regulava, saía umedecida e cortava no tamanho certo, bastava aplicar em cima. Era o ovo de Colombo! Nós tínhamos 600 empresas na região. Comecei em 1968 com 26 anos. Era conhecido como o rei do papel gomado”.

Cresceram muito. Mais tarde, introduziram o filamento de nylon que aumentava a resistência e podia vir impressa. Trabalharam com frigorífico, siderúrgica, indústria de móveis, laboratório, bebidas. Depois ampliaram a linha com o filme plástico para envolver os pallets. “Desde sempre, representamos o Número 1 do Brasil, acompanhando as tendências e atendendo o que o mercado precisa”.

Raul reforça: isso há 57 anos. Mas agora não está sozinho e orgulha-se disso: “Sempre deleguei poderes com facilidade. Detalhe: porque sempre tive a quem delegar. Encontrei pessoas que absorveram a minha filosofia, de agir e reagir. Aqui na Dimel procuramos ajudar todo mundo. Sei que nossos gestores têm outra visão. Mas tenho a sensação de que tudo que dei, recebi muito mais. Nunca ajudei pensando em agradecimento”.

Contar a história de um empresário de sucesso e que se dispõe a compartilhar sua história é especial.

 

UM ETERNO OTIMISTA

Assim é como Raul se define: “Sou um eterno otimista. Vir à empresa diariamente me deixa feliz. Administro minha empresa como se fosse uma grande família. Estou 24 horas à disposição de nossos colaboradores. Sempre digo que não se constranjam em me ligar. Sou muito grato pelo relacionamento. Todo mundo diz que ficam impressionados com o ambiente de trabalho aqui na Dimel. De fato, criamos um jeito próprio de trabalhar”.

Raul começou falando de sonhos, certo? “Nunca fiz concurso para o Banco do Brasil, nem faculdade de Direito. Tanto que adoro assistir à filmes com temas da área jurídica. E como empresário, entendo que tenho uma responsabilidade social”.

Se toda experiência é válida, Raul inclui no currículo a de ser vereador. Assumiu vaga no segundo mandato, quando Gabriel Steiner e Victor Schuck eram prefeito e vice. O pai era um apaixonado pela Arena, mas Raul entrou pelo MDB. “Meu pai quis me matar”. Com a experiência e relacionamento que tinha, foi uma escolha natural do partido. “Daqui a 4 anos, vou ajudar a indicar Euclides Tisian”, disse. Tornou-se presidente da Câmara. Quatro anos depois, assumiria Euclides Tisian, assim como prometeu durante o encontro no Bar do Müller, estabelecimento localizado no Bairro Floresta que ficou aberto até a década de 1990.

Raul com a equipe de Golfo. Ele, ao lado do grande campeão do torneio, Nigel Mansel (ex-campeão mundial de Fórmula Um)

 

 

Raul na Equipe Brasileira de Golfe Senior, em Albuquerque - Texas - Usa (2014)

 

UMA ESCOLA NO CAMINHO DA FELICIDADE

Raul na Orquestra Infantojuvenil 
Foto Rodrigo Farias

 

Eis que houve um momento, no início da década de 1990, que a prefeitura ofereceu para a Igreja Católica e a Evangélica um terreno para construir uma escola, mas estas não aceitaram. A Igreja Luterana ficou sabendo e foi atrás. “Fizemos assembleia depois do culto e quem vai liderar? Ninguém se manifestava, a Vivian disse: ‘Aceita logo’. E aceitei. Criamos grupos de trabalho para legalizar na Secretaria de Educação, contratar professores e eu fui procurar Ernest Sarlet que me indicou um modelo de escola no Bairro Kephas, em Novo Hamburgo. Começamos no Colégio Cenecista alugando simbólicamente 3 salas. Só faltavam os alunos. Fomos ao mercado. E novamente o bom relacionamento fez a diferença. Pedi um voto de confiança e se matricularam 15 alunos, inclusive o filho do Ciro Ferretto, o Juliano. A cada ano, aumentava uma turma. Acabamos construindo a escola, fizemos o ginásio e hoje são cerca de 500 alunos atendidos”.

A escola ganhou o nome de Colégio Luterano Arthur Konrath para homenagear seu avô, o fundador da Comunidade Luterana em Estância Velha. Para registro: a Biblioteca do colégio leva o nome de Raul. Uma homenagem em vida muito coerente considerando sua liderança e também por ser um leitor dedicado. “A leitura alimenta minha alma”.

“Sou movido a desafios”

A frase é de Raul Kruse para justificar o desafio de construir uma escola e conseguir realizar este feito graças à união de esforços. Outra paixão que o nosso Personagem tem é o esporte. Vôlei, basquete e futebol, depois tênis e após os 60 anos de idade, o golfe. Este último uma paixão digna de medalha por representar o Brasil em competição mundial. “O golfe não tem um desgaste físico e oportuniza o contato com a natureza”. Entre uma tacada de bola e outra, usa o carrinho elétrico e percorre vastos campos na companhia de quero-queros. Exibe com orgulho seu troféu ao vencer 64 jogadores num certame.

Se estamos falando de paixões, o interesse por imóveis é algo sério. “Adoro comprar e detesto vendê-los. Conservo propriedades de 40 anos atrás. O tempo é que se encarrega de transformar o valor. Tem a valorização natural do imóvel pela inflação e também pelos espaços que vão sendo ocupados. É a lei da oferta e procura. Mas algo que não abro mão são 3 pontos: primeiro a localização. Segundo, a localização. E terceiro, a localização. Nunca valorizei o dinheiro em si, de fazer aplicações. Aliás, nunca tive dinheiro. Devo para os bancos há 64 anos. Nunca me envergonhei porque sempre honrei com os compromissos. Dever é uma arte. Muitos fazem dívidas, mas esquecem de negociar. Quando faltam 10 dias, se eu não consigo pagar, peço prorrogação, vejo o que é possível fazer. Porque ter crédito é fundamental na vida”.

Pegou a receita do bolo? E aqui vem outra dica importante. “Não sei se posso classificar como uma paixão, mas acho importante ser útil. Ajudar pessoas, instituições. Fico grato pela Orquestra [Infantojuvenil] e o projeto do Xadrez. Mesmo que termine amanhã, vai fazer parte da história. E a Orquestra já tem data para seu próximo espetáculo: vai ser no dia 12 de novembro e vamos lotar o Teatro Feevale com 1.700 pessoas”. Promessa de Raul precisa ser levada a sério.

- Vamos deixar um legado na cidade. Sou o instrumento para buscar recursos além dos nossos, e temos sido muito bem sucedidos. Aprendi na vida que é necessário pedir. O “não” já é certo. E quando falamos no quanto a música e um instrumento podem transformar a vida de uma criança e de sua família, logo conseguimos parceiros.

O Música nas Escolas garante bolsas de estudos e instrumentos. O Música na Dimel garante o aprendizado dos colaboradores durante o expediente, subsidiando 70% do custo e fornecendo o instrumento. O Projeto  Xadrez  é realizado em nove escolas há 2 anos e meio totalmente patrocinado pela Dimel. 

No dia 18 de novembro, Raul Kruse comemora aniversário. “Não tenho consciência da minha idade. Não me imagino com 82 anos. É secundário. Faço Fisioterapia pensando no futuro. A cabeça faz a diferença. Eu me nego a olhar as coisas pelo lado ruim. Sempre olho para o outro lado”.

E Raul continua aprendendo. Gosta de escutar música, de tocar violão. “Estou aprendendo. A Elenara [Vargas, da Vibrare] pede para eu me apresentar e mostrar o que eu aprendi. Talvez algumas pessoas possam se espelhar. Tenho tentado um pouco. Aliás, toda a minha família canta muito bem”.  

Em tempo: Raul tem três netos: a Laura, o Arthur e a Manuela. Com eles, os filhos André, Aline e Fábio, as noras Eliane e Claudia e o genro Alexandre, curtem bons passeios e ótimos encontros. Todos aprendendo e se fortalecendo um com o outro.

O chimarrão, oferecido no início da conversa, esfriou. Também pudera. A história estava boa. Agradecemos por isso. Gravamos um vídeo e combinamos de que na semana seguinte seriam enviadas algumas fotos para exibir parte de seus sonhos realizados.

Que possas seguir sonhando, seu Raul! Seu legado está garantido. 

 

Sandra Hess

Publicado por:

Sandra Hess

Jornalista e coordenadora editorial da Z Multi Editora.

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