Me desculpe se você não concorda, mas quem diz que não, é porque tem algo mal resolvido - e não quer tocar na ferida - ou está mal de memória. No mínimo é divertido rever essas relíquias.
Eu sou da geração que nos anos 1990 amava Barrados no Baile (série americana Beverly Hills 90210), sonhava em ter filhos gêmeos, a Brenda e o Brandon, assistiu no mínimo 5 vezes os filmes Curtindo a Vida Adoidado (1986), De volta para o Futuro (1985), e o recorde de repetições no SBT, o filme A Lagoa Azul (1980).
Está certo que devemos nos atualizar, acompanhar o hoje e o agora, mas, sem olhar para trás não podemos andar para frente.
Sim, podemos, claro, mas o passado faz parte de nós, ou seja, é a nossa essência. Aprendamos com ele.
Tanto quanto viver coisas novas, é importante celebrar, relembrar, rever, pois recordar é viver.
E para isso, temos a nosso favor a internet quando desejamos tentar resgatar quem perdemos contato. Sabendo o nome e sobrenome de alguém, podemos (ou não) reencontrá-lo.
É legal fazer um post das coisas que gostamos, mostrar fotos dos lugares e de quem amamos, ver dos outros, postar uma música, um poema, um pensamento, recomendar um livro e compartilhar uma notícia.
Porém, essa ferramenta da comunicação pode ser cruel. Sim, e muito, quando você vê que Fulano e Beltrano se encontraram e o Sicrano não foi convidado. Por quê? Eles não eram tão amigos? Brigaram? E eu com isso?
Redes sociais são vitrines. Posta-se o que o usuário, ou seja, o dono e proprietário de determinada conta quer, de acordo com a sua intenção. Além do que, cada um interpreta do seu jeito.
Eu o vejo como um facilitador para contatar as pessoas. Quase todo mundo está no Facebook e/ou em outra rede social.
É válido para reencontrar colegas e amigos que no decorrer do tempo perdemos contato, saber o que faz ou por onde anda alguém que já fez parte do nosso cotidiano. Ou seja, fuxicar a vida alheia sem que o outro saiba.
Quem mandou publicar?
Nostalgia e saudade são palavras fortes. Aliás, palavras que nos fortalecem. Quer dizer que algo (ou alguém) que já passou mereceu essa recordação. Às vezes o dito-cujo não merece, mas se fez você relembrar, é porque talvez algo esteja mal resolvido.
Sendo assim, desse mundaréu de amigos nas redes sociais, parafraseando Oswaldo Montenegro na canção “A Lista”, ‘faça uma lista de grandes amigos’, quantos são de fato teus amigos de verdade?
E quantos atualmente visitam a tua casa? Tu tens contato - ao vivo, e não on line - com aqueles que tu diz serem importantes e especiais?
Cadê teus amigos? A festa acabou e todos se foram? Onde está ’quem você mais via há dez anos atrás, quantos você ainda vê todo dia, quantos você já não encontra mais’ ?
Desculpas é o que mais temos: a correria do dia-a-dia, compromissos, preguiça e até uma certa mágoa.
As pessoas mudam. Tanto por fora, como por dentro. Mas e a essência, ela fica? O que é importante sempre está perto, dentro de nós.
Daqueles amigos, ‘quantos você conseguiu preservar, quantos amigos você jogou fora’ ?
Sessão nostalgia é válida se temos a intenção de melhorarmos, de resgatar, de costurar, de tentar curar uma ferida que não sara.
Se não, melhor não aceitar o convite. De que vale adicionar em sua vida?
Agora faça uma lista de ’quantas pessoas que você amava, hoje acredita que amam você’ ? Considere-se um privilegiado se conseguir somar todos os dedos de uma mão.
Grande abraço, Jeanine de Moraes
Instagram: @jeaninedemoraes
E-mail: jeaninedemoraes@gmail.com