Seguindo nossa série de textos sobre a relevância da Reforma Luterana para a Pedagogia, em razão dos 500 anos do escrito de Lutero sobre a educação, hoje falaremos sobre um importante aspecto da ideia luterana de educação: a alegria!
Na época de Lutero (e por muito tempo ainda!) a escola era um lugar não apenas de educar, mas de também punir. Quem se lembra da palmatória? Quem teve que ficar no “cantinho do pensamento”? Alguém aí teve que ajoelhar no milho?
Embora muitas pessoas ainda tentem romantizar estas ideias dizendo que “naquele tempo é que era bom”, cada vez mais sabemos que a afetividade traz resultados muito melhores e mais significativos para os estudantes do que a punição na área da educação. Escola não é lugar de punição, mas lugar de afeto e aprendizagem: ninguém aprende de quem não gosta!
Assim, Lutero escreve 500 anos atrás:
“Ora, a juventude tem que dançar e pular e está sempre à procura de algo que cause prazer. Nisto não se pode impedi-la e nem seria bom proibir tudo. Por que então não criar para ela escolas deste tipo e oferecer-lhes estas disciplinas? Visto que, pela graça de Deus, está tudo preparado para que as crianças possam estudar línguas, outras disciplinas e História com prazer e brincando.”
LUTERO, Martinho. Aos Conselhos de Todas as Cidades da Alemanha para que criem e mantenham escolas cristãs [1524]. Trad.: Ilson Kayser. In: Obras Selecionadas, v.5. São Leopoldo: Sinodal, Porto Alegre: Concórdia Editora, 2011. P. 319.